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Parceiros para sempre

O último trimestre de 2008 trouxe a terrível face da crise internacional. O sistema financeiro no Brasil e no mundo sofreu enorme pressão por liquidez. Os financiamentos sumiram e a capacidade de empréstimo dos bancos reduziu-se dramaticamente. O Banco Guanabara atravessa esse difícil período com a cautela de sempre e sua enorme capacidade de estender a mão a seus clientes tradicionais. Em nenhum momento deixamos de atendê-los, porque esta é a melhor maneira de manter uma parceria comercial duradoura.

 

Reunião da Comissão de Economia e Mercados traça perspectivas para 2009

No dia 16 de janeiro de 2009 foi realizada a LIII Reunião da Comissão de Economia e Mercados, organizada pela Associação dos Bancos do Estado do Rio de Janeiro – ABERJ e pelo Sindicato dos Bancos do Estado do Rio de Janeiro – SBERJ, que foi coordenada pelo representante do Banco Guanabara, o economista Roberto Leonardo. Reproduzimos a íntegra da ata da reunião, considerando a importância de divulgar análises bem fundamentadas sobre o atual momento econômico.

Parecer da Comissão – janeiro/2009

Copom: A Comissão de Economia e Mercados da ABERJ foi quase unânime em relação a uma queda de 0,75% na taxa Selic para 13,00% na próxima reunião do Copom. Apenas um voto para a redução de 0,50% foi manifestado. As discussões sobre os efeitos da atual crise sobre o Brasil e no mundo, como não podia deixar de ser, ocuparam grande parte da reunião. Se na última reunião do ano passado o cenário para inflação era incerto, nessa ocasião as análises dos últimos movimentos da atividade econômica, do nível de emprego e redução no preço de algumas commodities, a Comissão entende que o cenário é redução das taxas inflacionárias para 2009, favorecendo igualmente a expectativa na queda da taxa Selic, que poderá fechar o ano entre 11% e 11,75%a.a.

Inflação e atividade: As expectativas para o IPCA da comissão reverteram sua trajetória altista do mês anterior de 5,4% para a média de 5,03%, podendo surpreender positivamente. As previsões de IGP-M, que já eram baixistas para 2009, fecharam ainda mais para o nível médio de 4,44%.
Os últimos dados sugerem uma inflação resiliente no varejo, por conta dos preços administrados que farão uma pressão no índice cheio em torno de 5,5%. Aliado a um aumento do salário mínimo da ordem de 11%, existe uma expectativa geral de que o IPCA ainda estará acima do centro da meta em 2009. Na recente reunião com analistas de mercado, a autoridade monetária continua afirmando que buscará o centro da meta em 4,5%. Por outro lado, a comissão revisou novamente para baixo o crescimento do PIB para uma média 2,15% em 2009, num cenário de fraco crescimento, considerando-se o carregamento de 2008 ano, que apresentará crescimento acima de 5%.
Quanto à inflação corrente, o IPCA de dezembro ficou em 0,28%, contra 0,49% no mês anterior, fechando o ano em 5,90%. O IGP-M de dezembro consolidou o cenário de desaceleração nos preços no atacado apresentando variação de -0,13%, encerrando 2009 em 9,81%. O índice veio abaixo das expectativas do mercado, com a queda dos preços agrícolas e commodities se sobrepondo à desvalorização cambial observada recentemente.
Os últimos dados de atividade continuam enfraquecidos, apesar da recuperação de setor de veículos novos beneficiados pela redução de impostos concedida pelo governo. As vendas do período natalino mostram o consumidor em dúvida com relação ao futuro da economia. Esses dados têm acendido luzes de advertência no governo, que busca, através de incentivos fiscais e medidas pontuais, com relação ao nível de emprego e atividade, a manutenção de um nível mínimo de produção e vendas em setores específicos da economia, fundamental para a manutenção das expectativas das famílias e empresas.

Câmbio e setor externo: Depois de atingir o pico máximo de R$ 2,62, no dia 05 de dezembro o dólar fechou o ano em R$ 2,3350, com variação de 31,5% em 2008, 50% acima de sua menor cotação de R$ 1,5620, alcançada no dia 1 de agosto. O Banco Central continua atuando em diversas frentes para assegurar liquidez aos bancos, no mercado cambial, em diversas modalidades, seja no mercado de dólares à vista, no fornecimento de linhas para o comércio exterior, melhorando a volatilidade da moeda estrangeira, que deve se estabilizar em torno desse patamar de encerramento de 2008. A comissão estima um dólar em torno de R$ 2,29 ao fim do 2009. Refletindo uma desaceleração mundial mais intensa, a comissão reduziu sua expectativa de balança comercial, mais uma vez, para uma média de US$ 13,3 bi em 2009, com previsão de IED fechando 2009 em US$ 25 bi, estável com relação à reunião anterior.

Fiscal: Mais uma vez, a Comissão continua alertando para o crescimento dos gastos correntes do governo, o que pode prejudicar a recuperação da economia brasileira e a sua capacidade de resistir à crise. Com a previsível queda da arrecadação, em função da retração econômica, os gastos já contratados com aumento do salário mínimo e reajustes concedidos aos servidores públicos, diminuem o espaço para manutenção do nível do superávit primário.Destaque para a relação dívida/PIB brasileira com níveis próximos a 35%, beneficiada pela desvalorização do real, uma vez que as reservas cambiais, em nível histórico superior a U$ 200 bilhões, apresentam efeito positivo na dívida.

Conjuntura externa: Os membros da Comissão de Economia e Mercados acompanham com preocupação o desenrolar progressivo da crise mundial. O sistema financeiro, em quase todo mundo, demonstra que sem a substancial ajuda dos governos, não conseguiria se manter. Volumes trilhionários têm sido despejados por bancos centrais e tesouros em muitos países para conter o pânico instalado nos mercados globais. Os primeiros balanços publicados pelas grandes corporações em todo o planeta dão conta da gravidade dessa enorme crise de desconfiança. Os escândalos envolvendo fraudes em fundos de investimento e remuneração de altos executivos contribuem para uma maior aversão ao risco. Milhões de empregos devem ser perdidos nesse e talvez nos próximos anos, não sendo razoável prever uma data para a saída dessa recessão, apesar de taxas de juros em níveis mínimos historicamente, em quase todas as nações. Outro dado preocupante é a escalada do déficit público nas maiores economias do planeta, que pode piorar a tal ponto de sensibilizar os agentes econômicos e ocasionar movimentos bruscos de divisas.
De toda forma, mais uma vez o consenso de mercado quanto a uma recuperação econômica mundial piorou, inclusive na China. Nota-se um governo mais preocupado com a sua própria economia, inclusive tomando medidas como cortes de taxas e reduções em compulsórios. A comissão revisou para baixo o crescimento mundial para 2009 como conseqüência.

Mercados: Os membros da Comissão, com exceção dos juros em declínio, mantêm visão neutra em relação aos ativos de risco.
As expectativas da comissão para o Ibovespa em 2009 subiram, na média, para 55.000 pontos, do nível anterior de 52.000, com os ativos cotados em bolsa, antecipando uma recuperação da economia mundial, que, talvez só ocorra em 2010.

 
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